E aí, senhores?! Tudo bem? Como dito anteriormente, fiquei incubido da missão de sanar algumas dúvidas sobre as regras no jiu jitsu. Dentre toda a complexidade da arte suave, o detalhe é sempre relevante pra cada ajuste, pra cada pressão e pra cada punição.

Desde quando o Mundial desembarcou nos EUA em 2007, muita coisa mudou. A capital do jiu jitsu saiu do Rio pra Califórnia, surgiram nomes para posições, aumentou-se consideravelmente o número de praticantes e etc. É notório também a “quedinha” que os gringos tem pelo jiu jitsu sem kimono, o “No Gi”. Atletas importantes do cenário atual tem seus nomes veiculados pela grande mídia e muitos, nem sequer colocam o kimono pra lutar. E logicamente, eles acabaram desenvolvendo técnicas que mais se adaptam pro jiu jitsu sem kimono, além de chaves que nem válidas são nos campeonatos regidos pelas maiores federações como IBJJF e UEAJJF.

Houve um tempo em que as chaves de pé e joelho eram marginalizadas por conta de todo um ambiente social. Na época, haviam embates entre as academias Gracie x Fadda, onde os representantes da equipe Fadda ganhavam as maiorias das disputas com finalizações nos membros inferiores. E como no Brasil, geralmente tudo que vem do subúrbio é marginalizado, os atletas que tinham esse estilo de jogo eram chamados de “sapateiros”, com a intenção de minimizar os reveses dos Gracies. Não adiantou! As chaves de pé e joelho continuaram funcionando – e muito, diga-se de passagem – e se desenvolveram tanto, que hoje em dia muitas lutas de jiu jitsu se desenvolvem mais da cintura pra baixo. É pé pra cá e perna pra lá num emaranhado de articulações que às vezes confunde até o mais atento espectador. Com essas cruzadas sendo tão usadas vem a dúvida da semana: COMO FUNCIONA A DESCLASSIFICAÇÃO POR CRUZADA DE PERNA?

Vejo muitos atletas e professores ainda com dúvidas em relação a essa regra, o que, consequentemente, gera muita discussão nos campeonatos e reclamações por parte dos atletas. Com isso, vou tentar esclarecer uma das posições mais contraditórias da atualidade. Vamos a ela?

O livre de regras da IBJJF versa no Art.6.2.3 pg 32 – atualização 2018-. A cruzada de pé se caracteriza quando um dos atletas posiciona a coxa por trás da perna do adversário e passa a própria panturrilha pela frente do corpo do adversário acima do joelho, posicionando o seu pé além da linha mediana vertical do corpo do adversário, aplicando pressão no joelho do adversário de fora para dentro, enquanto mantém o pé da perna em risco preso entre seu quadril e axila. É importante salientar que não é necessário um dos atletas estar segurando o pé de seu adversário para que seja considerado como preso. O próprio corpo do atleta pode obstruir o mesmo. Quando um dos atletas estiver de pé, para efeito desta regra, o pé do joelho em perigo estar no chão já é motivo pra ser considerado pé preso ou obstruído.

SERÁ CONSIDERADO FALTA GRAVÍSSIMA (passível de desclassificação imediata):

1. quando o atleta executa o movimento nas características citadas acima, passando o pé do limite vertical do corpo do adversário;

2. quando qualquer dos dois atletas estiver com golpe de finalização encaixado e cruzar sua perna nas características citadas acima.

SERÁ CONSIDERADO FALTA GRAVE:

1. Quando o atleta executa o movimento nas características acima , passando o seu pé da linha mediana vertical do seu adversário. O árbitro deverá paralisar o combate, retornar os atletas à posição permitida e punir o infrator antes de reiniciar o combate.

SERÁ CONSIDERADO VÁLIDO:

1. Quando o atleta cruzar a perna acima do joelho e o pé em questão não esteja preso; seja por pegada, ou por qualquer tipo de obstrução, mesmo que não intencional.

Agora que sanamos essa dúvida, não vai querer discutir com o árbitro nos próximos campeonatos sem razão, hein?! Estude as regras para um melhor andamento dos campeonatos. Os juízes estão lá para serem imparciais e aplicar as regras!
Esperam que tenham gostado do conteúdo. Se ainda restou alguma dúvida, deixe ela aqui nos comentários. Até mais e nos vemos nos tatames. Oss!

Alexandre Barauna.

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